domingo, 28 de junho de 2009

Sorriso

Tem um sorriso nascendo do meio da minha boca, tem um sorriso explodindo dentro do meu coração...
Sorriso leve, sorriso-nostalgia, sorriso inexplicável. Meu sorriso nunca antes experimentado, sorriso com gosto de café com cigarros.
Tem um sorriso estampado na minha vontade, tenho um sorriso guardado pra ela.
Tem um sorriso que me encanta, grande e salpicado de cores, o qual aprendi a gostar.
Meu sorriso surgiu do inesperado e perpetua na memória. Meu sorriso é meu e compartilhado, meu sorriso é muito e pouco tempo, meu sorriso é acanhado e escancarado, meu sorriso é explicado pelo inexplicável.

Meu sorriso não se furta, não se ofusca.
A razão do meu sorriso é ele mesmo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os outros

Não ferir, não magoar.
O outro que parece nem um pouco incomodar, me barra.
O medo de falar, o medo de tentar e de dizer não na hora certa. O medo de dizer sim quando por dentro o coração grita. Medo.
A razão talvez seja uma equação ainda não resolvida, mistério físico-emocional... sem lei.
O outro é outro e não eu... fazê-lo sofrer me machuca. Não saber o que fazer me pára. Não fazer nada me mata.
Morrer. Para mim, conseqüência. Derrota que não quero assinar, pelos outros, mais uma vez.
O outro é mais que eu?
O outro é algo que não entendo... por não me entender.

terça-feira, 2 de junho de 2009

?

Queria poder a voltar a sentir meu peito, queria poder voltar a sentir o coração bater.
Queria sentir a liberdade de correr por um campo livre.
Queria poder me sentir feliz plenamente mais uma vez...
Tudo ficou para trás, sem respostas, sem meios e sem fins.
Queria saber a razão do meu pranto, queria poder entender o pedido da minha alma.
Queria poder transparecer o meu sentir. Sentir tornou-se um turbilhão de dúvidas.
Quero conseguir voltar a falar com a força nas palavras, coma certeza de que elas funcionam e trabalham para mim...
Agora tudo é vazio, tudo é dúvida, tudo é questão e minhas respostas ficaram enterradas... enterradas sob mil conflitos, sob muitas angústias, sob muitas palavras não ditas.
Revoltam-se contra mim, essas palavras que não proferi... E agora o querer é um ponto, de interrogação.
Correr não é mais um alívio, gritar não esvazia, chorar não é o bastante e nem morrer é saída.
A felicidade tornou-se um enigma e nunca mais dei um sorriso pleno.

A incerteza me amarra, me abraça e me sufoca... Choro sem razão, como sem vontade e respiro conscientemente, agoniante.
Minha indagação é uma procura, minha resposta é um precipício.
Sorrisos e lágrimas tem o mesmo motivo e eu me encontro imóvel.
Esquecida, estarrecida, errante.
Movimento um corpo que desejo deixar imóvel.

Deixei os conflitos para trás, deixei as palavras para depois e achei que tudo estava em ordem.
Nada está do jeito que deixei, está no jeito que me deixaram, que eu me deixei ser deixada.


Texto antigo. Não tão antigo...! rs.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Folha de Papel

Talvez eu fosse apenas uma folha de papel onde você passa a caneta rapidamente...
Talvez essa folha fosse apenas mais uma que você coloca no fundo de uma caixa velha, para qual sorri sofregamente quando vê.
Fui um papel no qual você escreveu sonhos, desenhou saudades e pintou amores. Sou a folha de papel que ficou grudada na parede, apenas o tempo suficiente para que desistisse.
Sinto-me o guardanapo pego ao acaso num barzinho lotado numa terça-feira à noite, rabiscado pela caneta de um amigo, um objeto o qual foi instigada a violentar.
Fizestes de mim uma passageira, uma fina folha que voa ao mínimo toque do vento e que sente frio a todo o momento. Tocada por seus traços, da tinta larga que saiu da caneta e do seu coração. Talvez com medo, por curiosidade de ver o que saía a traços livres.
Quis ser o poema onde “para tão longo amor tão curta a vida”, mas talvez eu seja o rascunho embolado no canto da lixeira.

Outro texto antigo, sem data também.

Ponte

Ponte, rio, certeza, medo e coração...
Por que a fumaça sobe circular? Os círculos que vem dos olhos, os círculos que nascem sem ser chamados, a volta que começa e esboça fim.
A vida do fim que ainda nem se desenhou...
O medo de ser fumaça, de passar, sem agrado. Foi-se, rodou, é um.

Este é um texto antigo, sem data.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para minha Mãe

Era uma vez, uma barriga... Uma barriga que crescia, chutava e se deliciava com a vida que vinha e que estava por vir.
Era uma vez um sorriso, um choro, uma vida em sangue puro e quente de duas vidas que jamais se desligariam.
Era uma vez passos, medos, sorrisos e vozes. Vozes de consciência, de aprendizado, do certo e errado e do que ainda está por vir... Grandes desejos, imaginações de duas almas que talvez ainda não se comunicavam por palavras, mas já tinham elos parar todo o sempre.
Era uma vez o primeiro machucado, as risadas, o medo de cair e a vontade de se levantar, as decisões de uma que seria a vida e o orgulho da outra, para sempre uma, para sempre final sem fim.
Era uma vez a confiança, o medo de perder, o conhecimento, a saudade, a vida nos olhos delas que, no fim, era uma querendo ser a outra... por preocupação ou admiração, mas só um gosto, uma colherada, mais um outro abraço e sorrisos que as lágrimas sempre irão enaltecer.
Era uma vez a rebeldia, as mudanças, as discórdias, um mar de rosas onde a cria queria sempre ajudar a mãe, que ela pudesse interpretar o papel que não era seu, mas que havia aprendido com a melhor professora.
Era uma vez a volta, a perda e a superação... Um misto de cores e não cores, mas que sempre seriam a mesma estrada à diante, com tijolos às vezes gastos e podres... outras vezes, com tijolos de ouro que, por se passar, encher de vida os olhos e o coração.
Era uma vez a cumplicidade, a coragem de uma que ensina, a vida que morre por não se tentar e a que nasce no abraço quente que o amor dá.
Era uma vez uma Deusa, uma Fada, a mitologia bela e clara da vida real, de traços soltos e leves, desenhados nela e na vida dela, nobremente escritos ou descritos pela cria que a venera, para sempre.
Um dia por ano lembro-me dela mais que intensamente, mais do que sempre, por orgulho de dizer: "Mãe, é seu dia."
Parabéns,
Sua primogênita,
Luiza.


(Esse texto é do mês 04 do ano de 2008, estou enviando-o para a promoção do Dia das Mães do site www.personare.com.br . O vencedor ganha um mapa astral, ou revolução solar para si e o mapa astral da mãe. E aí? O que vocês acham? Dá pra ganhar? Hahaha... Beijos!)

domingo, 19 de abril de 2009

Da Sacada

Ela parou à frente da minha porta, como se nada mais tivesse pra fazer. Acendeu um cigarro, olhou pro asfalto, pra calçada que de tão velha soltava o que chamam de "concreto".
Eu da sacada, sacando todos os seus movimentos...
Ela analisou o céu que ainda era escuro às onze horas da manhã. Suspirou, juntou mais os joelhos, recostou o cotovelo sobre um deles, uma mão tapando o rosto e a outra segurando o cigarro.
Perdi-me naquela cena, tão humana e simples. Cada traço dela banhado por sentimentos... Foi então que reparei que ela chorava, chorava! Chorava silenciosamente, fazendo com que os olhos brilhassem na manhã escura.
Pensei. Refleti. Era uma quinta-feira, manhã normal e ela chorava. Pude então agora sentir a sua dor: o cigarro acabara e ele saía de sua mão soltando-se vagarosamente de cada dedo, como se abandonasse o seu maior aconchego e ainda assim tivesse vontade de ficar.
Eu tive vontade de abraçá-la, tive vontade de dizê-la que o vazio é apenas o primeiro passo para o auto-conhecimento e que ela não precisava do cigarro, como não precisava de quem a havia abandonado.