Talvez eu fosse apenas uma folha de papel onde você passa a caneta rapidamente...
Talvez essa folha fosse apenas mais uma que você coloca no fundo de uma caixa velha, para qual sorri sofregamente quando vê.
Fui um papel no qual você escreveu sonhos, desenhou saudades e pintou amores. Sou a folha de papel que ficou grudada na parede, apenas o tempo suficiente para que desistisse.
Sinto-me o guardanapo pego ao acaso num barzinho lotado numa terça-feira à noite, rabiscado pela caneta de um amigo, um objeto o qual foi instigada a violentar.
Fizestes de mim uma passageira, uma fina folha que voa ao mínimo toque do vento e que sente frio a todo o momento. Tocada por seus traços, da tinta larga que saiu da caneta e do seu coração. Talvez com medo, por curiosidade de ver o que saía a traços livres.
Quis ser o poema onde “para tão longo amor tão curta a vida”, mas talvez eu seja o rascunho embolado no canto da lixeira.
Outro texto antigo, sem data também.
10 minutos
Há um ano
