quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Estou esgotada. E muitos diriam que estou esgotada por pouco, que isso não é de se preocupar.
A verdade é que dentro de mim, nessa fragilidade protegida por uma casca aparentemente forte, eu sofro.
Sofro por que ser lésbica é pejorativo. Ser lésbica é um espanto e a minha felicidade parece desrespeitosa, porque ela tem dado o direito a todos de me desrespeitarem.
"Vocês incomodam, tem gente reclamando.".
Eu incomodo. E eles?
O mais revoltante é narrar o fato e escutar "É normal.", "Tem gente que é assim mesmo.", "Vá se acostumando!". Ok. Eu estou cansada e esgotada de saber tudo isso... E eles? E esses outros, que são tão estranhos pra mim quanto eu sou pra eles? Eles pararam pra pensar que é normal, que tem gente que é assim mesmo e que eles tem que se acostumar? Não.
É muito fácil agir pela conveniência própria. E como diz a personagem da Terça Insana, Betina Botox, alguém já parou pra pensar o que ME incomoda? Não.
Sabe porque? Porque gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros são coisas de outro mundo, que muita gente só vê na TV, que ainda não é real. É um personagem, como Betina Botox. Somos assim porque representamos um papel. Somos revoltados, sem amor, sem boa criação, sem vida, acéfalos.
Sim, é assim que eles muitas vezes nos vêem.
Não podemos amar, não podemos sorrir, não podemos abraçar o nosso par em público porque não somos normais.
E eu, eu me esgotei.
Cansei de parecer o lixo que não sou.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bom, primeira vez que eu posto um texto que não é meu.
Estava fuçando o Dykerama e esse texto me chamou a atenção...!
Aí vai!

Casamento e liberdade de escolha

Por Silvia Sakuma
Publicado em 18/01/2010 às 16:58


Carmem não queria casar-se com seu namorado Alberto. A vida de solteira sempre pareceu-lhe mais atrativa e livre. Achava o casamento um contrato desnecessário, já que todos sabiam do seu relacionamento com Alberto. Não planejou seu primeiro filho, que nasceu saudável e cheio de energia. Reclamava diariamente dos afazeres domésticos, como cozinhar, lavar e passar roupas, das manhas do filho, da bagunça da casa. Para Carmem a vida era um fardo a ser carregado.
Gabriela queria muito se casar. Nunca sonhou com vestidos de noivas ou uma linda cerimônia, mas o casamento tornou-se algo necessário em sua vida. Sua namorada Amanda adoeceu e Gabriela não tinha como justificar suas faltas no trabalho para acompanhá-la no hospital. Ninguém entendia esse relacionamento e lei alguma assegurava proteção a elas. Gabriela sempre desejou ser mãe e até hoje luta arduamente para adotar uma criança com HIV, que foi rejeitada por vários casais heterossexuais na longa fila de adoção.
Gabriela tinha esperança, enquanto Carmem não conseguia enxergar a grandiosidade da liberdade que tinha em mãos, apenas por ter nascido heterossexual. Carmem podia escolher casar-se ou não, ter filhos ou não, adotar uma criança ou não. Ela tinha todas as facilidades que uma maioria tem e, em troca, ditava regras. Não valorizava o casamento e nem a maternidade, mas não admitia que pessoas como Gabriela tivessem o mesmo direito, só porque achava estranho uma pessoa gostar de alguém do mesmo sexo.
Uma grande parcela da população ainda não consegue conquistar a própria vida, enxergar a felicidade nos detalhes e por isso não permitem que outros sejam felizes. Precisamos sentir mais amor próprio e praticar algo que faça o nosso coração vibrar. Só assim seremos capazes de amar e respeitar outras pessoas.