sábado, 20 de dezembro de 2008

Encantado

Encantado de dor canta o palhaço, sem graça, sem abraço, sem cheiro ou cigarro no maço.
Desfazendo se das suas mágoas, sentado na escadaria, sentia que sofria e nele a lágrima escorria
Corria fazendo corações, esperando novas canções, dos mais belos refrões... Reflexões.
Tinha a voz cortante, sem sentido, pela noite, uivante.
Tropeçava nos galhos, pegou todos os atalhos, assustando-se com espantalhos.
Fez versos da noite escura, banhando-se na própria loucura, escrevendo sempre sobre a sua procura.
Queria um colo, atenção.
Fazia do medo, canção.
Se sentia um gelo, depressão.
Queimava as palavras, sem confissão.
Desenhava no canto, um coração.
O palhaço já se foi, disse que não volta, saiu pelo mundo sem escolta, deixou pra traz a revolta... Encantado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Despertar

Adormeceu como criança na beira da janela, tinha se perdido olhando pra lua, pra luz, da noite. Na noite da janela era protagonista, e tinha a vida dividida pela morte do décimo andar. Acordou como se nada houvesse acontecido ou desconhecesse o local onde estava. Levantou-se, imponente. E dela só caiu o medo.

Sou palhaço.

Diz pra ela que é só conversa, que faz parte da minha prosa poética. Digna de Flaneur, digna de nova era frente ao computador... Há. É o fim e o inicio. São os fins que justificam os trameios...

"Faz parte do meu show."

E no fim, é tudo pura história pra boi dormir.
E o que pertuba é a dor.

"Faz parte do meu show, meu amor. Meu amor, meu amor."