Encantado de dor canta o palhaço, sem graça, sem abraço, sem cheiro ou cigarro no maço.
Desfazendo se das suas mágoas, sentado na escadaria, sentia que sofria e nele a lágrima escorria
Corria fazendo corações, esperando novas canções, dos mais belos refrões... Reflexões.
Tinha a voz cortante, sem sentido, pela noite, uivante.
Tropeçava nos galhos, pegou todos os atalhos, assustando-se com espantalhos.
Fez versos da noite escura, banhando-se na própria loucura, escrevendo sempre sobre a sua procura.
Queria um colo, atenção.
Fazia do medo, canção.
Se sentia um gelo, depressão.
Queimava as palavras, sem confissão.
Desenhava no canto, um coração.
O palhaço já se foi, disse que não volta, saiu pelo mundo sem escolta, deixou pra traz a revolta... Encantado.
10 minutos
Há um ano
