segunda-feira, 25 de maio de 2009

Folha de Papel

Talvez eu fosse apenas uma folha de papel onde você passa a caneta rapidamente...
Talvez essa folha fosse apenas mais uma que você coloca no fundo de uma caixa velha, para qual sorri sofregamente quando vê.
Fui um papel no qual você escreveu sonhos, desenhou saudades e pintou amores. Sou a folha de papel que ficou grudada na parede, apenas o tempo suficiente para que desistisse.
Sinto-me o guardanapo pego ao acaso num barzinho lotado numa terça-feira à noite, rabiscado pela caneta de um amigo, um objeto o qual foi instigada a violentar.
Fizestes de mim uma passageira, uma fina folha que voa ao mínimo toque do vento e que sente frio a todo o momento. Tocada por seus traços, da tinta larga que saiu da caneta e do seu coração. Talvez com medo, por curiosidade de ver o que saía a traços livres.
Quis ser o poema onde “para tão longo amor tão curta a vida”, mas talvez eu seja o rascunho embolado no canto da lixeira.

Outro texto antigo, sem data também.

Ponte

Ponte, rio, certeza, medo e coração...
Por que a fumaça sobe circular? Os círculos que vem dos olhos, os círculos que nascem sem ser chamados, a volta que começa e esboça fim.
A vida do fim que ainda nem se desenhou...
O medo de ser fumaça, de passar, sem agrado. Foi-se, rodou, é um.

Este é um texto antigo, sem data.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para minha Mãe

Era uma vez, uma barriga... Uma barriga que crescia, chutava e se deliciava com a vida que vinha e que estava por vir.
Era uma vez um sorriso, um choro, uma vida em sangue puro e quente de duas vidas que jamais se desligariam.
Era uma vez passos, medos, sorrisos e vozes. Vozes de consciência, de aprendizado, do certo e errado e do que ainda está por vir... Grandes desejos, imaginações de duas almas que talvez ainda não se comunicavam por palavras, mas já tinham elos parar todo o sempre.
Era uma vez o primeiro machucado, as risadas, o medo de cair e a vontade de se levantar, as decisões de uma que seria a vida e o orgulho da outra, para sempre uma, para sempre final sem fim.
Era uma vez a confiança, o medo de perder, o conhecimento, a saudade, a vida nos olhos delas que, no fim, era uma querendo ser a outra... por preocupação ou admiração, mas só um gosto, uma colherada, mais um outro abraço e sorrisos que as lágrimas sempre irão enaltecer.
Era uma vez a rebeldia, as mudanças, as discórdias, um mar de rosas onde a cria queria sempre ajudar a mãe, que ela pudesse interpretar o papel que não era seu, mas que havia aprendido com a melhor professora.
Era uma vez a volta, a perda e a superação... Um misto de cores e não cores, mas que sempre seriam a mesma estrada à diante, com tijolos às vezes gastos e podres... outras vezes, com tijolos de ouro que, por se passar, encher de vida os olhos e o coração.
Era uma vez a cumplicidade, a coragem de uma que ensina, a vida que morre por não se tentar e a que nasce no abraço quente que o amor dá.
Era uma vez uma Deusa, uma Fada, a mitologia bela e clara da vida real, de traços soltos e leves, desenhados nela e na vida dela, nobremente escritos ou descritos pela cria que a venera, para sempre.
Um dia por ano lembro-me dela mais que intensamente, mais do que sempre, por orgulho de dizer: "Mãe, é seu dia."
Parabéns,
Sua primogênita,
Luiza.


(Esse texto é do mês 04 do ano de 2008, estou enviando-o para a promoção do Dia das Mães do site www.personare.com.br . O vencedor ganha um mapa astral, ou revolução solar para si e o mapa astral da mãe. E aí? O que vocês acham? Dá pra ganhar? Hahaha... Beijos!)

domingo, 19 de abril de 2009

Da Sacada

Ela parou à frente da minha porta, como se nada mais tivesse pra fazer. Acendeu um cigarro, olhou pro asfalto, pra calçada que de tão velha soltava o que chamam de "concreto".
Eu da sacada, sacando todos os seus movimentos...
Ela analisou o céu que ainda era escuro às onze horas da manhã. Suspirou, juntou mais os joelhos, recostou o cotovelo sobre um deles, uma mão tapando o rosto e a outra segurando o cigarro.
Perdi-me naquela cena, tão humana e simples. Cada traço dela banhado por sentimentos... Foi então que reparei que ela chorava, chorava! Chorava silenciosamente, fazendo com que os olhos brilhassem na manhã escura.
Pensei. Refleti. Era uma quinta-feira, manhã normal e ela chorava. Pude então agora sentir a sua dor: o cigarro acabara e ele saía de sua mão soltando-se vagarosamente de cada dedo, como se abandonasse o seu maior aconchego e ainda assim tivesse vontade de ficar.
Eu tive vontade de abraçá-la, tive vontade de dizê-la que o vazio é apenas o primeiro passo para o auto-conhecimento e que ela não precisava do cigarro, como não precisava de quem a havia abandonado.

Abecedário Diário

A de "ainda não tá na hora"... e ela nunca chega!
B de "boa sorte", até mesmo para aqueles que me machucam...
C de "cansei de lutar"... e o pior de se lutar sozinha é que ninguém nota se você desiste...
D de "dançar até morrer", pra jogar pra fora todo o entulho.
E de "eu ainda amo". E basta.
F de "fudeu". Faz figuinha. Foi fácil. Fica, por favor.
G de "grito"... gritando.
H de "hora de fazer alguma coisa", mesmo que seja nada.
I de "inventar novas soluções" e, às vezes, parar nas indagações.
J de "junta tudo e joga fora", e "já vai tarde".
L de "lembranças"... Latejantes loucuras, larga lucidez, falsa sensatez.
M de "muita merda". Merda pra que te quero. (?)
N de "nunca deixar de partir". Amadurecência.
O de "observar"... original? mais outra.
P de "prantos". Patético. Por quê?
Q de "quase foi dessa vez"... quase.
R de "rir". Rindo dos problemas, enobrecendo a alma. Rindo sádicamente, quando ninguém pode escutar.
S de "sumir para sempre". Nunca contemplado por muito tempo. Saiu.
T de "tédio, tumulto, tragédia, tapas, torturas, trâmites". Todo tempo.
U de "uivar"... Dramáticamente.
V de "valer a pena"! Valia, pra mim.
X ... é de fazer-se criança e pedir atenção! Em qualquer meio ou situação.
Z de "zebra". Deu. Mais uma vez.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Encantado II

Versos soltos de um palhaço que foi-se embora encantado
O fim dos dias parecia próximo, mas nada mudou,
Deixou as trouxas de lado e acendeu um cigarro,
Chorou, mesmo com o sorriso pintado no rosto.
O palhaço não tinha mais razão,
O palhaço não tinha mais motivos...
O palhaço queria achar o fim da estrada,
Quis ver o final do pôr-do-sol,
Mas nada mudou...
Decidido a entregar-se a calmaria,
O palhaço apagou o cigarro,
Tirou a tinta do rosto
E deixou de fingir ser o que não era: Encantado.

sábado, 11 de abril de 2009

Diálogo 2

Escutando música no fone de ouvido no quarto escuro e porta fechada... escuto um "clique", viro-me... tem alguém no meu quarto.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!" *estica os braços, tira os fones de ouvido, coloca a mão no rosto e desliga o monitor*
"Eu bati na porta, entrei batendo o pé e você não me escutou, quem manda ficar com esse fone de ouvido?"

*Mãe e filha começam a rir*