segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para minha Mãe

Era uma vez, uma barriga... Uma barriga que crescia, chutava e se deliciava com a vida que vinha e que estava por vir.
Era uma vez um sorriso, um choro, uma vida em sangue puro e quente de duas vidas que jamais se desligariam.
Era uma vez passos, medos, sorrisos e vozes. Vozes de consciência, de aprendizado, do certo e errado e do que ainda está por vir... Grandes desejos, imaginações de duas almas que talvez ainda não se comunicavam por palavras, mas já tinham elos parar todo o sempre.
Era uma vez o primeiro machucado, as risadas, o medo de cair e a vontade de se levantar, as decisões de uma que seria a vida e o orgulho da outra, para sempre uma, para sempre final sem fim.
Era uma vez a confiança, o medo de perder, o conhecimento, a saudade, a vida nos olhos delas que, no fim, era uma querendo ser a outra... por preocupação ou admiração, mas só um gosto, uma colherada, mais um outro abraço e sorrisos que as lágrimas sempre irão enaltecer.
Era uma vez a rebeldia, as mudanças, as discórdias, um mar de rosas onde a cria queria sempre ajudar a mãe, que ela pudesse interpretar o papel que não era seu, mas que havia aprendido com a melhor professora.
Era uma vez a volta, a perda e a superação... Um misto de cores e não cores, mas que sempre seriam a mesma estrada à diante, com tijolos às vezes gastos e podres... outras vezes, com tijolos de ouro que, por se passar, encher de vida os olhos e o coração.
Era uma vez a cumplicidade, a coragem de uma que ensina, a vida que morre por não se tentar e a que nasce no abraço quente que o amor dá.
Era uma vez uma Deusa, uma Fada, a mitologia bela e clara da vida real, de traços soltos e leves, desenhados nela e na vida dela, nobremente escritos ou descritos pela cria que a venera, para sempre.
Um dia por ano lembro-me dela mais que intensamente, mais do que sempre, por orgulho de dizer: "Mãe, é seu dia."
Parabéns,
Sua primogênita,
Luiza.


(Esse texto é do mês 04 do ano de 2008, estou enviando-o para a promoção do Dia das Mães do site www.personare.com.br . O vencedor ganha um mapa astral, ou revolução solar para si e o mapa astral da mãe. E aí? O que vocês acham? Dá pra ganhar? Hahaha... Beijos!)

domingo, 19 de abril de 2009

Da Sacada

Ela parou à frente da minha porta, como se nada mais tivesse pra fazer. Acendeu um cigarro, olhou pro asfalto, pra calçada que de tão velha soltava o que chamam de "concreto".
Eu da sacada, sacando todos os seus movimentos...
Ela analisou o céu que ainda era escuro às onze horas da manhã. Suspirou, juntou mais os joelhos, recostou o cotovelo sobre um deles, uma mão tapando o rosto e a outra segurando o cigarro.
Perdi-me naquela cena, tão humana e simples. Cada traço dela banhado por sentimentos... Foi então que reparei que ela chorava, chorava! Chorava silenciosamente, fazendo com que os olhos brilhassem na manhã escura.
Pensei. Refleti. Era uma quinta-feira, manhã normal e ela chorava. Pude então agora sentir a sua dor: o cigarro acabara e ele saía de sua mão soltando-se vagarosamente de cada dedo, como se abandonasse o seu maior aconchego e ainda assim tivesse vontade de ficar.
Eu tive vontade de abraçá-la, tive vontade de dizê-la que o vazio é apenas o primeiro passo para o auto-conhecimento e que ela não precisava do cigarro, como não precisava de quem a havia abandonado.

Abecedário Diário

A de "ainda não tá na hora"... e ela nunca chega!
B de "boa sorte", até mesmo para aqueles que me machucam...
C de "cansei de lutar"... e o pior de se lutar sozinha é que ninguém nota se você desiste...
D de "dançar até morrer", pra jogar pra fora todo o entulho.
E de "eu ainda amo". E basta.
F de "fudeu". Faz figuinha. Foi fácil. Fica, por favor.
G de "grito"... gritando.
H de "hora de fazer alguma coisa", mesmo que seja nada.
I de "inventar novas soluções" e, às vezes, parar nas indagações.
J de "junta tudo e joga fora", e "já vai tarde".
L de "lembranças"... Latejantes loucuras, larga lucidez, falsa sensatez.
M de "muita merda". Merda pra que te quero. (?)
N de "nunca deixar de partir". Amadurecência.
O de "observar"... original? mais outra.
P de "prantos". Patético. Por quê?
Q de "quase foi dessa vez"... quase.
R de "rir". Rindo dos problemas, enobrecendo a alma. Rindo sádicamente, quando ninguém pode escutar.
S de "sumir para sempre". Nunca contemplado por muito tempo. Saiu.
T de "tédio, tumulto, tragédia, tapas, torturas, trâmites". Todo tempo.
U de "uivar"... Dramáticamente.
V de "valer a pena"! Valia, pra mim.
X ... é de fazer-se criança e pedir atenção! Em qualquer meio ou situação.
Z de "zebra". Deu. Mais uma vez.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Encantado II

Versos soltos de um palhaço que foi-se embora encantado
O fim dos dias parecia próximo, mas nada mudou,
Deixou as trouxas de lado e acendeu um cigarro,
Chorou, mesmo com o sorriso pintado no rosto.
O palhaço não tinha mais razão,
O palhaço não tinha mais motivos...
O palhaço queria achar o fim da estrada,
Quis ver o final do pôr-do-sol,
Mas nada mudou...
Decidido a entregar-se a calmaria,
O palhaço apagou o cigarro,
Tirou a tinta do rosto
E deixou de fingir ser o que não era: Encantado.

sábado, 11 de abril de 2009

Diálogo 2

Escutando música no fone de ouvido no quarto escuro e porta fechada... escuto um "clique", viro-me... tem alguém no meu quarto.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!" *estica os braços, tira os fones de ouvido, coloca a mão no rosto e desliga o monitor*
"Eu bati na porta, entrei batendo o pé e você não me escutou, quem manda ficar com esse fone de ouvido?"

*Mãe e filha começam a rir*

Diálogo

"... e é isso, mãe."
"É minha filha, mas já tinham te avisado...!"
"EU SEI! ¬¬"
"... o papo tá chato né? Eu só falo o que você não quer escutar."
"Não, não é isso. T.T"


Eu simplesmente não queria que fosse assim.

A Onda

Abra o seu coração e perceba, eu te abraço com a alma.