quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

QUILOMBOLAS

Eeeeeentão, a chefe não aceitou esse texto pro blog do trabalho, pq não é jurídico o suficiente.. Fica aqui, pr'eu não perder e pra vocês lerem!


Mencionados apenas no ensino fundamental das escolas brasileiras e vagamente lembrados alguns anos depois, os quilombolas, de tão antigos, são esquecidos. Quando se estuda os quilombolas e a formação dos quilombos, nada mais se passa do que alguns minutos de uma aula regular, onde algum aluno mais esperto que assistiu a “Sinhá Moça” fala de escravos, e a memória do capitão-do-mato ainda acaba sendo mais interessante.
Os quilombos, tão rapidamente explicados como locais afastados onde se refugiavam escravos fugidos, são esquecidos na história do Brasil e pelo seu povo. A história parece muda, pois não ressalta que a primeira resistência que se tem notícia, em luta por uma sociedade igualitária e com dignidade se revelou nos quilombos. Acontece que se mostra mais fácil deixa-los a mercê do esquecimento e desde o seu surgimento (por volta dos anos 1600) os quilombos eram tolerados. Facilmente toleráveis quando ajudavam os comerciantes, vendendo suas mercadorias por um preço muito inferior do que os fazendeiros e repassando saques. A tolerância segue até hoje, de mãos dadas ao esquecimento e pouquíssimo se ouve falar deles.
A verdade é que o que vêm a cabeça de todos, quando se fala de quilombo, é a história de Zumbi, um negro nascido livre, vendido quando ainda criança a um missionário português, rebela-se na adolescência e foge, até que um dia vira o líder do maior quilombo que já se teve notícia no Brasil.
A história de Zumbi muito pouco é explorada e muito menos entendida. Zumbi não lutava apenas por sua liberdade, lutava pela a liberdade de todos os negros escravos, que mereciam ter condições de viver, comer, morar e descansar como qualquer outro ser humano. E, como não se é novidade, Zumbi foi tolerado. Tentaram persuadi-lo a desistir, e o mesmo lutou, resistiu até o último suspiro e como recompensa, recebeu do então governador de Pernambuco a seguinte declaração: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares." O governador mandou matar o homem, mas ainda não era capaz de matar a idéia de Zumbi, esta última sim, imortal.
Ironicamente, estes ideais almejados por Zumbi viriam a ser, em 1988, consagrados pela Constituição da República Federativa do Brasil como direitos inatos à todos aqui residentes. Além de todo o hall dos direitos fundamentais e sociais, os quilombolas remanescentes (por que sim, eles existem e Resistem até hoje) são abraçados por muitas leis especiais, desde o art. 68 do ADCT da Constituição à ratificação da Convenção Internacional nº 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Mas, novamente, o Brasil nega a sua história e a sua descendência. Muito se escreveu sobre democracia e muito se quis ao assinar tais tratados, mas os negros quilombolas ainda são tolerados, desde que não façam muito barulho e que não se abriguem em qualquer metro quadrado mais interessante ao governo ou ao homem brasileiro que se vale da má fé para tomar-lhes os direitos. É de suma importância que o Brasil e seus naturais conheçam e reconheçam a sua história, pois estes quilombos andam contando apenas com sua própria sorte, próprio cultivo e própria força.
O Brasil é um país de todos, mas ainda muito se precisa efetivar para que seja totalmente e realmente um Brasil com a cara de todos os brasileiros.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Estou esgotada. E muitos diriam que estou esgotada por pouco, que isso não é de se preocupar.
A verdade é que dentro de mim, nessa fragilidade protegida por uma casca aparentemente forte, eu sofro.
Sofro por que ser lésbica é pejorativo. Ser lésbica é um espanto e a minha felicidade parece desrespeitosa, porque ela tem dado o direito a todos de me desrespeitarem.
"Vocês incomodam, tem gente reclamando.".
Eu incomodo. E eles?
O mais revoltante é narrar o fato e escutar "É normal.", "Tem gente que é assim mesmo.", "Vá se acostumando!". Ok. Eu estou cansada e esgotada de saber tudo isso... E eles? E esses outros, que são tão estranhos pra mim quanto eu sou pra eles? Eles pararam pra pensar que é normal, que tem gente que é assim mesmo e que eles tem que se acostumar? Não.
É muito fácil agir pela conveniência própria. E como diz a personagem da Terça Insana, Betina Botox, alguém já parou pra pensar o que ME incomoda? Não.
Sabe porque? Porque gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros são coisas de outro mundo, que muita gente só vê na TV, que ainda não é real. É um personagem, como Betina Botox. Somos assim porque representamos um papel. Somos revoltados, sem amor, sem boa criação, sem vida, acéfalos.
Sim, é assim que eles muitas vezes nos vêem.
Não podemos amar, não podemos sorrir, não podemos abraçar o nosso par em público porque não somos normais.
E eu, eu me esgotei.
Cansei de parecer o lixo que não sou.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bom, primeira vez que eu posto um texto que não é meu.
Estava fuçando o Dykerama e esse texto me chamou a atenção...!
Aí vai!

Casamento e liberdade de escolha

Por Silvia Sakuma
Publicado em 18/01/2010 às 16:58


Carmem não queria casar-se com seu namorado Alberto. A vida de solteira sempre pareceu-lhe mais atrativa e livre. Achava o casamento um contrato desnecessário, já que todos sabiam do seu relacionamento com Alberto. Não planejou seu primeiro filho, que nasceu saudável e cheio de energia. Reclamava diariamente dos afazeres domésticos, como cozinhar, lavar e passar roupas, das manhas do filho, da bagunça da casa. Para Carmem a vida era um fardo a ser carregado.
Gabriela queria muito se casar. Nunca sonhou com vestidos de noivas ou uma linda cerimônia, mas o casamento tornou-se algo necessário em sua vida. Sua namorada Amanda adoeceu e Gabriela não tinha como justificar suas faltas no trabalho para acompanhá-la no hospital. Ninguém entendia esse relacionamento e lei alguma assegurava proteção a elas. Gabriela sempre desejou ser mãe e até hoje luta arduamente para adotar uma criança com HIV, que foi rejeitada por vários casais heterossexuais na longa fila de adoção.
Gabriela tinha esperança, enquanto Carmem não conseguia enxergar a grandiosidade da liberdade que tinha em mãos, apenas por ter nascido heterossexual. Carmem podia escolher casar-se ou não, ter filhos ou não, adotar uma criança ou não. Ela tinha todas as facilidades que uma maioria tem e, em troca, ditava regras. Não valorizava o casamento e nem a maternidade, mas não admitia que pessoas como Gabriela tivessem o mesmo direito, só porque achava estranho uma pessoa gostar de alguém do mesmo sexo.
Uma grande parcela da população ainda não consegue conquistar a própria vida, enxergar a felicidade nos detalhes e por isso não permitem que outros sejam felizes. Precisamos sentir mais amor próprio e praticar algo que faça o nosso coração vibrar. Só assim seremos capazes de amar e respeitar outras pessoas.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Saudade

Me esmagou forte a saudade, na hora de despedir.
Lembrei da noite anterior, do seu beijo, do seu carinho, do seu toque e do seu amor que entra em mim como uma explosão...
Senti falta do seu cheiro, ainda sentindo-o.
Quis te beijar pra sempre pra não perder o seu gosto, quis te levar comigo pra longe, pra qualquer lugar. Quis que você colasse em mim.

Agora a lembrança me faz viajar, me faz perder o senso, o norte, a razão. Fico parada no tempo que você estava comigo, estagnada.
Amor meu, minha vida, meu sonho.
Se cada palavra que eu disesse tivesse uma cor, seria a sua.

Já não bastam as palavras, a falta é intensa.
A saudade abre a minha porta com violência e grita o seu nome enquanto eu perco os sentidos, tentando sentir você.

Quero voltar no tempo,
no tempo em que o tempo não passava ao seu lado.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Escuro

Nunca que pensei que fosse desgostar de alguma chuva.
Desgosto dessa de agora.
Hoje tive sonhos pesados e estranhos, acordei com a alma pedindo um abraço.
Hoje senti que a vida não se pode controlar
Senti que sobre o final


nada se pode falar

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ô, se tô!

Ô menina, minha grande pequena...
Tô com saudade do seu abraço, aquele laço forte e macio.
Tô com vontade do seu beijo, de todo sabor.
Tô sentindo falta do seu cheiro, de menina minha, guardada lá dentro.

Tô no mundo, na rua, na calçada, em casa, na cama... e você tá aqui dentro, sorrindo.

Corre que eu tô louca pra te lembrar que eu te amo.
Ô menina,
Minha menina...!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O dentro do fora e o fora de dentro

Por dentro eu explodo, expando, floresço e sorrio.
Por dentro eu estremeço, grito, chamo e aspiro.
Explodo de amor, expando vontades, floresço sonhos e sorrio para as memórias.
Estremeço arrepiando, grito de saudades, chamo o seu nome e aspiro.
Aspiro. Desejo.

Desejo ela por perto,
Desejo saber cantar o amor que me faz dançar, por dentro.
Desejo nunca perder o que ganhei, sem pedir.

Ah, o amor.
Sempre brincando.
Faz de conta que só está dentro quando, na verdade, está por toda parte.

Vivo você, te amo. Por dentro e por fora.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Angústia

Além do que se vê, veja.

A angústia, para quem escreve, não é só uma angústia.
A angústia é uma revolução, um reboliço por dentro.
A angústia pega os arquivos, bagunça as pastas e joga fora os papéis.
A angústia nos faz perder o índice.
Não sabemos por onde começar, o começo é sempre onde queremos parar.
A angústia nos faz querer parar de pensar, mas não se é possível.
A angústia embrulha o estômago e embaralha a vista.
A angústia nos cala.
A angústia só nos faz pensar nela.
A angústia. Egoísta, angústia.
. Conhece a história?
Que história?
. Qual importaria pra você?
Não sei, nada tem realmente importado...
. Certeza?
Na verdade, não.
. Então, conhece a história?
Não, nenhuma...
. É uma pena.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Menina do balaio, donde cê pareceu
Trazendo festa em meu berço
Festando em balaio meu
Mandando beijos pra chuva
Chovendo beijos em mim
Quero abraço da santa
Quero a cruz, querubim
Quero o nome do herdeiro
Quero herdar teu sorrir
Quando acordo primeiro é só pra te ver dormir

Ô menina do balaio, que é que me aconteceu
Cê aparece sem pressa, e depressa leva o que é meu
Na boca um beijo e no abraço
Meu braço, não sei qual é
A gente se misturando, feito leite e café
Que faço em quanto cê sonha,
Enquanto volta do céu
Cê que veio de santa pra trazer o que é meu

Traga toda a tua prenda, traga tudo que for
Que eu trago a poesia, pra esconder nossa dor
Traga toda a tua lenda, traga o teu cobertor
Que eu trago a poesia, pra cantar nosso amor

Menina do balaio, do teu lado eu não saio

domingo, 28 de junho de 2009

Sorriso

Tem um sorriso nascendo do meio da minha boca, tem um sorriso explodindo dentro do meu coração...
Sorriso leve, sorriso-nostalgia, sorriso inexplicável. Meu sorriso nunca antes experimentado, sorriso com gosto de café com cigarros.
Tem um sorriso estampado na minha vontade, tenho um sorriso guardado pra ela.
Tem um sorriso que me encanta, grande e salpicado de cores, o qual aprendi a gostar.
Meu sorriso surgiu do inesperado e perpetua na memória. Meu sorriso é meu e compartilhado, meu sorriso é muito e pouco tempo, meu sorriso é acanhado e escancarado, meu sorriso é explicado pelo inexplicável.

Meu sorriso não se furta, não se ofusca.
A razão do meu sorriso é ele mesmo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os outros

Não ferir, não magoar.
O outro que parece nem um pouco incomodar, me barra.
O medo de falar, o medo de tentar e de dizer não na hora certa. O medo de dizer sim quando por dentro o coração grita. Medo.
A razão talvez seja uma equação ainda não resolvida, mistério físico-emocional... sem lei.
O outro é outro e não eu... fazê-lo sofrer me machuca. Não saber o que fazer me pára. Não fazer nada me mata.
Morrer. Para mim, conseqüência. Derrota que não quero assinar, pelos outros, mais uma vez.
O outro é mais que eu?
O outro é algo que não entendo... por não me entender.

terça-feira, 2 de junho de 2009

?

Queria poder a voltar a sentir meu peito, queria poder voltar a sentir o coração bater.
Queria sentir a liberdade de correr por um campo livre.
Queria poder me sentir feliz plenamente mais uma vez...
Tudo ficou para trás, sem respostas, sem meios e sem fins.
Queria saber a razão do meu pranto, queria poder entender o pedido da minha alma.
Queria poder transparecer o meu sentir. Sentir tornou-se um turbilhão de dúvidas.
Quero conseguir voltar a falar com a força nas palavras, coma certeza de que elas funcionam e trabalham para mim...
Agora tudo é vazio, tudo é dúvida, tudo é questão e minhas respostas ficaram enterradas... enterradas sob mil conflitos, sob muitas angústias, sob muitas palavras não ditas.
Revoltam-se contra mim, essas palavras que não proferi... E agora o querer é um ponto, de interrogação.
Correr não é mais um alívio, gritar não esvazia, chorar não é o bastante e nem morrer é saída.
A felicidade tornou-se um enigma e nunca mais dei um sorriso pleno.

A incerteza me amarra, me abraça e me sufoca... Choro sem razão, como sem vontade e respiro conscientemente, agoniante.
Minha indagação é uma procura, minha resposta é um precipício.
Sorrisos e lágrimas tem o mesmo motivo e eu me encontro imóvel.
Esquecida, estarrecida, errante.
Movimento um corpo que desejo deixar imóvel.

Deixei os conflitos para trás, deixei as palavras para depois e achei que tudo estava em ordem.
Nada está do jeito que deixei, está no jeito que me deixaram, que eu me deixei ser deixada.


Texto antigo. Não tão antigo...! rs.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Folha de Papel

Talvez eu fosse apenas uma folha de papel onde você passa a caneta rapidamente...
Talvez essa folha fosse apenas mais uma que você coloca no fundo de uma caixa velha, para qual sorri sofregamente quando vê.
Fui um papel no qual você escreveu sonhos, desenhou saudades e pintou amores. Sou a folha de papel que ficou grudada na parede, apenas o tempo suficiente para que desistisse.
Sinto-me o guardanapo pego ao acaso num barzinho lotado numa terça-feira à noite, rabiscado pela caneta de um amigo, um objeto o qual foi instigada a violentar.
Fizestes de mim uma passageira, uma fina folha que voa ao mínimo toque do vento e que sente frio a todo o momento. Tocada por seus traços, da tinta larga que saiu da caneta e do seu coração. Talvez com medo, por curiosidade de ver o que saía a traços livres.
Quis ser o poema onde “para tão longo amor tão curta a vida”, mas talvez eu seja o rascunho embolado no canto da lixeira.

Outro texto antigo, sem data também.

Ponte

Ponte, rio, certeza, medo e coração...
Por que a fumaça sobe circular? Os círculos que vem dos olhos, os círculos que nascem sem ser chamados, a volta que começa e esboça fim.
A vida do fim que ainda nem se desenhou...
O medo de ser fumaça, de passar, sem agrado. Foi-se, rodou, é um.

Este é um texto antigo, sem data.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Para minha Mãe

Era uma vez, uma barriga... Uma barriga que crescia, chutava e se deliciava com a vida que vinha e que estava por vir.
Era uma vez um sorriso, um choro, uma vida em sangue puro e quente de duas vidas que jamais se desligariam.
Era uma vez passos, medos, sorrisos e vozes. Vozes de consciência, de aprendizado, do certo e errado e do que ainda está por vir... Grandes desejos, imaginações de duas almas que talvez ainda não se comunicavam por palavras, mas já tinham elos parar todo o sempre.
Era uma vez o primeiro machucado, as risadas, o medo de cair e a vontade de se levantar, as decisões de uma que seria a vida e o orgulho da outra, para sempre uma, para sempre final sem fim.
Era uma vez a confiança, o medo de perder, o conhecimento, a saudade, a vida nos olhos delas que, no fim, era uma querendo ser a outra... por preocupação ou admiração, mas só um gosto, uma colherada, mais um outro abraço e sorrisos que as lágrimas sempre irão enaltecer.
Era uma vez a rebeldia, as mudanças, as discórdias, um mar de rosas onde a cria queria sempre ajudar a mãe, que ela pudesse interpretar o papel que não era seu, mas que havia aprendido com a melhor professora.
Era uma vez a volta, a perda e a superação... Um misto de cores e não cores, mas que sempre seriam a mesma estrada à diante, com tijolos às vezes gastos e podres... outras vezes, com tijolos de ouro que, por se passar, encher de vida os olhos e o coração.
Era uma vez a cumplicidade, a coragem de uma que ensina, a vida que morre por não se tentar e a que nasce no abraço quente que o amor dá.
Era uma vez uma Deusa, uma Fada, a mitologia bela e clara da vida real, de traços soltos e leves, desenhados nela e na vida dela, nobremente escritos ou descritos pela cria que a venera, para sempre.
Um dia por ano lembro-me dela mais que intensamente, mais do que sempre, por orgulho de dizer: "Mãe, é seu dia."
Parabéns,
Sua primogênita,
Luiza.


(Esse texto é do mês 04 do ano de 2008, estou enviando-o para a promoção do Dia das Mães do site www.personare.com.br . O vencedor ganha um mapa astral, ou revolução solar para si e o mapa astral da mãe. E aí? O que vocês acham? Dá pra ganhar? Hahaha... Beijos!)

domingo, 19 de abril de 2009

Da Sacada

Ela parou à frente da minha porta, como se nada mais tivesse pra fazer. Acendeu um cigarro, olhou pro asfalto, pra calçada que de tão velha soltava o que chamam de "concreto".
Eu da sacada, sacando todos os seus movimentos...
Ela analisou o céu que ainda era escuro às onze horas da manhã. Suspirou, juntou mais os joelhos, recostou o cotovelo sobre um deles, uma mão tapando o rosto e a outra segurando o cigarro.
Perdi-me naquela cena, tão humana e simples. Cada traço dela banhado por sentimentos... Foi então que reparei que ela chorava, chorava! Chorava silenciosamente, fazendo com que os olhos brilhassem na manhã escura.
Pensei. Refleti. Era uma quinta-feira, manhã normal e ela chorava. Pude então agora sentir a sua dor: o cigarro acabara e ele saía de sua mão soltando-se vagarosamente de cada dedo, como se abandonasse o seu maior aconchego e ainda assim tivesse vontade de ficar.
Eu tive vontade de abraçá-la, tive vontade de dizê-la que o vazio é apenas o primeiro passo para o auto-conhecimento e que ela não precisava do cigarro, como não precisava de quem a havia abandonado.

Abecedário Diário

A de "ainda não tá na hora"... e ela nunca chega!
B de "boa sorte", até mesmo para aqueles que me machucam...
C de "cansei de lutar"... e o pior de se lutar sozinha é que ninguém nota se você desiste...
D de "dançar até morrer", pra jogar pra fora todo o entulho.
E de "eu ainda amo". E basta.
F de "fudeu". Faz figuinha. Foi fácil. Fica, por favor.
G de "grito"... gritando.
H de "hora de fazer alguma coisa", mesmo que seja nada.
I de "inventar novas soluções" e, às vezes, parar nas indagações.
J de "junta tudo e joga fora", e "já vai tarde".
L de "lembranças"... Latejantes loucuras, larga lucidez, falsa sensatez.
M de "muita merda". Merda pra que te quero. (?)
N de "nunca deixar de partir". Amadurecência.
O de "observar"... original? mais outra.
P de "prantos". Patético. Por quê?
Q de "quase foi dessa vez"... quase.
R de "rir". Rindo dos problemas, enobrecendo a alma. Rindo sádicamente, quando ninguém pode escutar.
S de "sumir para sempre". Nunca contemplado por muito tempo. Saiu.
T de "tédio, tumulto, tragédia, tapas, torturas, trâmites". Todo tempo.
U de "uivar"... Dramáticamente.
V de "valer a pena"! Valia, pra mim.
X ... é de fazer-se criança e pedir atenção! Em qualquer meio ou situação.
Z de "zebra". Deu. Mais uma vez.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Encantado II

Versos soltos de um palhaço que foi-se embora encantado
O fim dos dias parecia próximo, mas nada mudou,
Deixou as trouxas de lado e acendeu um cigarro,
Chorou, mesmo com o sorriso pintado no rosto.
O palhaço não tinha mais razão,
O palhaço não tinha mais motivos...
O palhaço queria achar o fim da estrada,
Quis ver o final do pôr-do-sol,
Mas nada mudou...
Decidido a entregar-se a calmaria,
O palhaço apagou o cigarro,
Tirou a tinta do rosto
E deixou de fingir ser o que não era: Encantado.

sábado, 11 de abril de 2009

Diálogo 2

Escutando música no fone de ouvido no quarto escuro e porta fechada... escuto um "clique", viro-me... tem alguém no meu quarto.

"AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!" *estica os braços, tira os fones de ouvido, coloca a mão no rosto e desliga o monitor*
"Eu bati na porta, entrei batendo o pé e você não me escutou, quem manda ficar com esse fone de ouvido?"

*Mãe e filha começam a rir*