sábado, 29 de novembro de 2008

Extratifique.

Estratifique a vida, escorra o líquido e sinta o suor nas costas.
Corra contra o vento, no automóvel, no automático, correndo entre os dedos.
Enxergue, suba mais alto, vá ao pico e coloque nele a sua bandeira.
Sorria, faça dele o espelho da alma, cante!
Acorde, acredite, medite e respire mais uma vez... dentro, fora.
Abrace, ame, entregue-se, faça dois ser um, nem que seja só uma vez.
Escreva nas paredes, desenhe lírios, esqueça as rosas e seja único.
Deite no campo, molhe-se no orvalho, aqueça-se no sol e aquiete o calor de dentro.
Faça na frente, o verso... faça do verso parte integrante da estrofe, do refrão da canção.
Defenda os seus direitos, honre-se.
Faça um cabeçalho, divida em pastas, compre arquivos e refaça as contas... Acerte a questão, faça no canto da folha um coração e, no final das contas, use as iniciais.
Encene o drama da sua felicidade comedida, entenda o final da rima que te assassina.
Cresça, uive, lute!
Umedeça os lábios, beije e se delicie, dê um trago no sentimento que eu trago.
Faça moda, desenhe, crie a criatividade de um grande escritor.
Acredite que pode, finja não ser você por um dia, pro dia reparar em você.
Gire de braços abertos, abrace o mundo e despeça-se do tempo que zomba com você, de você.
Expresse, fale, escreva, insista e seja.
E feche os olhos.
Pronto.
Encontrei você.

Islander ?

As roupas úmidas do mar, o vento que batia vindo do leste, os olhos apertados, cabelos molhados, caminhava protegendo os olhos com o braço. Procurava por algo, por alguém, no fim de tarde que agora tornava-se chuvoso. Subiu praia, desceu areia e subiu na pedra, viu o mar lá embaixo. Sentiu o gosto de sal na boca e o vento acariciou seus cabelos. As primeiras gotas vieram dançar no seu rosto, misturando-se com as lágrimas. Abriu os braços devagar e respirou fundo. Sentiu o vazio tornar-se tudo, e tudo era ela, era felicidade, era pleno.
Viu o borrão do que seria seu reflexo no mar e acreditou amar-se mesmo assim.
Deitou o corpo devagar contra o vento, que a faria sentir-se viva até o último segundo. Pediu que não a fizessem desistir, e foi quando melhor conseguiu ver seu reflexo que tudo se apagou.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

(...) 25/11/08

Furtivamente triste, sem saber reconhecer ao certo as minhas sensações...
Perdidamente perdida em meio as minhas indagações...
De mim mesma, para mim...
Dos mil problemas, de mim.

___________ Me deixem em paz.

Que paz?
Não sei, talvez você pudesse me responder.
Eu? Na minha ingenuidade profunda?

. .Já não restam restos de palavras,
. .Já não se usa o verbo,
. .Trave,
. .Travada,
. .Na encruzilhada,
. .Cheia...
. .Vazia...
. .Cansada.
. .Sem fim
. .Sem início
. .Sem nada.
. .Com tudo
. .E sem prosa.

?

Chego assim com o coração puro,
Um amor em cima do muro,
Só pra ver ela passar...

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Deslocando...

Deslocando ondas, fervendo em energia pura, esfriando o medo de fora...
Entendendo o coração, pensando no sim e no não.
Evoluindo casos, fazendo traços e desenhando antigos abraços.
Gerando imagens em preto e branco, outras de todas, de todos os tons...
Dormindo confortavelmente, esfriando a mente, deslocando a sensação...
Flutuando no teto, sentando na janela, voando pra dentro e pra fora.
Tendo certeza das incertezas, crescendo além de todas as fronteiras.
Satisfazendo vontades que antes nem existiam.E amando a pessoa que de fora por dentro me vê, eu.

Anastácia

Anastácia estava cansada de seu espelho manchado.
Anastácia escrevia tantas vezes que nem medo mais existia.
Anastácia escrevia no seu espelho, no dedo, no cabelo.
Anastácia sai daqui, não quero você mais não.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Não é, mas é como se fosse...

Quanto mais se espera um ônibus, menos tempo se espera...
Quanto mais rápido se chega ao ponto, mais rápido você chega aonde quer ir...

E como se fossem ônibus, os amores.
Quanto mais se espera, menos se espera...
Quanto mais se corre, mais cedo se chega.

E como se fosse metáfora, pagamos por esperar.


[viagem pouca é bobagem.]