
Anica era apenas mais uma adolescente neste mundo lotado. Cheia de dúvidas e sem razões...
Encontrava-se sentada em meio à grama verde, despetalando uma flor qualquer, de uma cor que ela mesma já não lembrava qual era. O seu olhar era tão vago que nenhum ser, vivente ou não, seria capaz de descobrir para onde olhava.
Apenas Anica sabia que ela não olhava para fora de lugar nenhum, ela olhava para dentro de si mesma, enquanto balançava as pernas por cima daquela pedra tão alta, com o vento nos seus cabelos negros como o carvão, curtos...
Anica usava sapatilhas, mas nem ela mesma sabia porque as usava. Não queria se fazer de bonequinha, mas parecia uma. Anica se perguntava como seria se se vestisse colocando para fora o que estava por dentro... Talvez usasse trapos, coloridos, xadrezes, porém sem nenhuma simetria. Ela talvez estivesse suja de fuligem da cabeça aos pés, as narinas escuras e os olhos manchados pelas lágrimas que agora ela segurava, tentando se convencer de que era forte.
A vida não tinha mais sentido, mas ela queria viver e descobrir a razão.
Após a última pétala, Anica despertou, descobrindo que as metáforas haviam lhe feito mergulhar tão profundamente à ponto de esquecer de se resolver dos problemas.
Quais eram os problemas? Ela mesma já não sabia... Anica só sabia que doía. Ela era embalada por agonia e desespero, por vontade de ação, mas a inércia ainda agia sobre ela.
Resolveu tirar as sapatilhas e sujar as meias brancas que iam até os seus joelhos, dando o ar de quem brinca a tarde inteira, como a criança de seu passado jamais havia feito... mas Anica não via graça em nada ao seu redor. Enfiou as unhas na terra fofa e tratou de sujar as meias, como um trabalho que exigia muito dela mesma. À medida que sujava as meias, Anica lembrava-se de tudo... Anica lembrava-se de seu pai. Lembrava-se. Perguntava ao mundo e a si mesma a razão... Porque mesmo ao seu lado ele parecia tão distante? Porque mesmo sendo seu pai ele queria ser melhor em tudo? Será que ele não percebia que ela não queria ganhar de ninguém? Ela só queria que seu pai sorrisse para ela, só queria que ele a fizesse largar a terra e que, de mãos dadas, eles fossem desenhar na areia.
Porém, nada disso acontecia. E Anica sentia que isso jamais aconteceria. Já era tarde, ele já a tinha deixado encardir as unhas e as meias na terra, por dentro e por fora... e sabe-se lá Deus quando isso irá se limpar.
Encontrava-se sentada em meio à grama verde, despetalando uma flor qualquer, de uma cor que ela mesma já não lembrava qual era. O seu olhar era tão vago que nenhum ser, vivente ou não, seria capaz de descobrir para onde olhava.
Apenas Anica sabia que ela não olhava para fora de lugar nenhum, ela olhava para dentro de si mesma, enquanto balançava as pernas por cima daquela pedra tão alta, com o vento nos seus cabelos negros como o carvão, curtos...
Anica usava sapatilhas, mas nem ela mesma sabia porque as usava. Não queria se fazer de bonequinha, mas parecia uma. Anica se perguntava como seria se se vestisse colocando para fora o que estava por dentro... Talvez usasse trapos, coloridos, xadrezes, porém sem nenhuma simetria. Ela talvez estivesse suja de fuligem da cabeça aos pés, as narinas escuras e os olhos manchados pelas lágrimas que agora ela segurava, tentando se convencer de que era forte.
A vida não tinha mais sentido, mas ela queria viver e descobrir a razão.
Após a última pétala, Anica despertou, descobrindo que as metáforas haviam lhe feito mergulhar tão profundamente à ponto de esquecer de se resolver dos problemas.
Quais eram os problemas? Ela mesma já não sabia... Anica só sabia que doía. Ela era embalada por agonia e desespero, por vontade de ação, mas a inércia ainda agia sobre ela.
Resolveu tirar as sapatilhas e sujar as meias brancas que iam até os seus joelhos, dando o ar de quem brinca a tarde inteira, como a criança de seu passado jamais havia feito... mas Anica não via graça em nada ao seu redor. Enfiou as unhas na terra fofa e tratou de sujar as meias, como um trabalho que exigia muito dela mesma. À medida que sujava as meias, Anica lembrava-se de tudo... Anica lembrava-se de seu pai. Lembrava-se. Perguntava ao mundo e a si mesma a razão... Porque mesmo ao seu lado ele parecia tão distante? Porque mesmo sendo seu pai ele queria ser melhor em tudo? Será que ele não percebia que ela não queria ganhar de ninguém? Ela só queria que seu pai sorrisse para ela, só queria que ele a fizesse largar a terra e que, de mãos dadas, eles fossem desenhar na areia.
Porém, nada disso acontecia. E Anica sentia que isso jamais aconteceria. Já era tarde, ele já a tinha deixado encardir as unhas e as meias na terra, por dentro e por fora... e sabe-se lá Deus quando isso irá se limpar.
