Estou esgotada. E muitos diriam que estou esgotada por pouco, que isso não é de se preocupar.
A verdade é que dentro de mim, nessa fragilidade protegida por uma casca aparentemente forte, eu sofro.
Sofro por que ser lésbica é pejorativo. Ser lésbica é um espanto e a minha felicidade parece desrespeitosa, porque ela tem dado o direito a todos de me desrespeitarem.
"Vocês incomodam, tem gente reclamando.".
Eu incomodo. E eles?
O mais revoltante é narrar o fato e escutar "É normal.", "Tem gente que é assim mesmo.", "Vá se acostumando!". Ok. Eu estou cansada e esgotada de saber tudo isso... E eles? E esses outros, que são tão estranhos pra mim quanto eu sou pra eles? Eles pararam pra pensar que é normal, que tem gente que é assim mesmo e que eles tem que se acostumar? Não.
É muito fácil agir pela conveniência própria. E como diz a personagem da Terça Insana, Betina Botox, alguém já parou pra pensar o que ME incomoda? Não.
Sabe porque? Porque gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros são coisas de outro mundo, que muita gente só vê na TV, que ainda não é real. É um personagem, como Betina Botox. Somos assim porque representamos um papel. Somos revoltados, sem amor, sem boa criação, sem vida, acéfalos.
Sim, é assim que eles muitas vezes nos vêem.
Não podemos amar, não podemos sorrir, não podemos abraçar o nosso par em público porque não somos normais.
E eu, eu me esgotei.
Cansei de parecer o lixo que não sou.
10 minutos
Há um ano
