terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

De repente bate a saudade...

De repente bate uma saudade!

Do Super Nintendo, do VHS, do Lego, da cômoda de madeira clara.
Dá saudade de brincar com Barbies sem pernas, de comprar bala no Baiano, de subir na árvore da escola, de confabular assassinatos de diretoras anteriores do colégio, de pular corda e brincar de queimada...
Dá saudade da época que o bate papo ainda não era motivo de piada e do barulhinho do ICQ.
Dá saudade de andar de bicicleta de rodinha, aprender a fazer curvas em alta velocidade de patins, de cair do skate e andar de patinete.
Dá saudade de treinar futebol na quadra da frente ou no poliesportivo do interior...
Dá saudade de escutar Avril e se identificar, de chorar de emoção por ter um ídolo.

De repente bate uma saudade de ter a felicidade de uma criança...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Cinzas

No topo daquela serra podia-se sentir o cheiro do mato e a grama era tão fofa quanto um colchão d'água. A luz fraca do sol poente lutava para passar entre as nuvens...
Os cabelos ruivos e longos esvoaçavam no vento que era forte, para mim tão afável quanto uma brisa... Em pé ela olhava o horizonte, como se quisesse guardar toda e qualquer memória daquele momento, daquele dia. Virou-se para mim, sorridente... Eu podia sentir dentro de mim uma inquietude e uma paz imensa, tão fortes que eu já nem sabia como podia me manter deitada alí.
"Eu achei que você nunca viria, mas você veio." - ela disse, sentando-se ao meu lado.
"Eu mesma achei que nunca iria conseguir..."
Depois dessas palavras, tudo que eu pude fazer foi abraça-la forte, sentir o seu perfume e a testura da sua pele... eram reais.
"Lembra do que eu te disse? A culpa não era minha." - eu disse, começando a me sentir culpada.
"Não tem que se preocupar... O final chegou. E agora tudo está bem."
"Sabe Aline, tudo que eu mais quis nesse mundo era poder te mostrar que não importava o que a vida me fizesse, quantas batidas ela me desse, eu ia estar com você aqui um dia."

Ela não me disse nada naquele momento, apenas suspirou e olhou para o céu que agora era alaranjado...
De repente, faltou foco. Ficou cinza.


E a vida me ensinou ....


[chega.]

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Carência

Estar carente é uma dor agoniante.
Um nó na garganta que não se engole, um sufoco que nada apaga... O tempo só piora, os segundos ficam cada vez mais pesados.
Surge uma falta, de onde?
As paredes tornam-se mais concretas e você vê que está preso, dentro de si.
Ninguém sabe, ninguém escuta, ninguém se preocupa...! e você mesmo começa a se questionar por que é tão preocupante...

... então você decide se enganar, tira a música de acordes profundos e finge que nada aconteceu...

... sabendo e temendo a hora que tudo vai voltar.

Meu (?) Erro

Torturante a sensação de erro, sensação de fim sem começo, sensação de não saber onde foi que tudo parou...
Qual o problema com todas as mulheres ultimamente?
O problema sou eu?


Talvez a minha sina seja errar...
Errando sempre.
Se corro atrás, errei.
Se eu dou carinho, é errado.
Se sou sincera, elas me evitam... Errei de novo.

Cansada de ser a amável, a afável... o sorriso aberto toda hora que alguém precisa...
E se eu não consigo abrir o sorriso, eu errei de novo.

No fundo, no fundo... Eu só erro comigo.

E todo mundo morre de dó, mas nem liga.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Impotência

Agarrando-me no meio das antigas vontades, esqueço-me de mim.
Vendo cores e sonhos antigos, não mais meus...
Vi a face do medo, conheci a dor profundamente e larguei todos os meus prazeres.
Impotente, sim.
De mãos fechadas, nos bolsos, esperando alguém me abraçar.
No vácuo do meu ser, na falta de ar incessante que me embriaga quando penso na vida...
Nada mais tem sentido, nada mais tem mais sentido do que bater palmas pra vida...


... e como sempre, ela me abandonou.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Encantado

Encantado de dor canta o palhaço, sem graça, sem abraço, sem cheiro ou cigarro no maço.
Desfazendo se das suas mágoas, sentado na escadaria, sentia que sofria e nele a lágrima escorria
Corria fazendo corações, esperando novas canções, dos mais belos refrões... Reflexões.
Tinha a voz cortante, sem sentido, pela noite, uivante.
Tropeçava nos galhos, pegou todos os atalhos, assustando-se com espantalhos.
Fez versos da noite escura, banhando-se na própria loucura, escrevendo sempre sobre a sua procura.
Queria um colo, atenção.
Fazia do medo, canção.
Se sentia um gelo, depressão.
Queimava as palavras, sem confissão.
Desenhava no canto, um coração.
O palhaço já se foi, disse que não volta, saiu pelo mundo sem escolta, deixou pra traz a revolta... Encantado.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Despertar

Adormeceu como criança na beira da janela, tinha se perdido olhando pra lua, pra luz, da noite. Na noite da janela era protagonista, e tinha a vida dividida pela morte do décimo andar. Acordou como se nada houvesse acontecido ou desconhecesse o local onde estava. Levantou-se, imponente. E dela só caiu o medo.