Eu vejo ruas, esquinas... Escuras calçadas. Cinza e preto... Ela vem com as mãos no bolso, olhando-me profundamente, eu gritando por dentro. Ela estava vindo, mas parecia que andava parada. Humildemente, paralisada, eu olho. Era como se eu pedisse que ela ficasse ali, mesmo andando parada, a sua ida era mais uma dor idêntica que eu não queria mais sentir...
Eu sinto tanta coisa, eu senti tanto. Eu quis e quero...
Mas ela andando, errante sem vir nem ir me faz querer descobrir aonde é que eu estou indo.
Parada estou, o vento nos cabelos...
Rebeldes como a vida que eu construí... Ambas temos as mesmas feições, como um espelho. Ela repousa um sorriso no rosto e a vontade dela me parece minha. Não sabendo a razão daquele sorriso, ele tornou-se meu.
No céu sem estrelas, ela parece ser a única luz.
Continua noite, a escuridão só me deixa ver o corpo dela e o espaço em volta.
Mal sabe ela que não precisa procurar longe, ela própria é uma arte, um quadro, uma foto, um filme.
E parada eu sequer me sento, mais uma vez observando a vida passar.
10 minutos
Há um ano

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